Março de 1999

Sociedade da Língua Portuguesa

Instituto de Cultura
Instituição de Utilidade Pública
Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique

      Breve Historial

      Fundada em 14 de Novembro de 1949, a Sociedade de Língua Portuguesa (SLP), nasce vocacionada para a investigação, difusão e defesa da Língua Portuguesa. Foi uma ideia do Prof. Vasco Botelho do Amaral tornada pública aos microfones do Rádio Clube Português, em 26 de Março de 1949.
      Em 1979, passa a Instituição de Utilidade Pública e, em 1982 a Membro-Honorário da Ordem do Infante Dom Henrique.
      Em 1989, passa a designar-se Sociedade da Língua Portuguesa, Instituto de Cultura.

   A SLP celebrou em Novembro de 1989 o 40º aniversário e por esse motivo elaboro uma programação especial que se iniciou em Novembro de 1988 com o Curso Linguística reflexão sobre a Língua Portuguesa e terminou em Novembro de 1989 com o Colóquio Internacional Língua Portuguesa - Que Futuro? na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e um recital, na sede, de Poesia escrita em Língua Portuguesa nas quatro partidas.

   A SLP afirma-se pelo modo continuado qualitativo como desenvolve o seu trabalho. As suas actividades são diárias e abarcam não só a área específica da língua portuguesa como outras da cultura. Citam-se os seus três programas fixos os semanais 3ªs. Feiras da SLP e África/Quinta-Feira e o anual Curso de Férias para Estrangeiros/Escola Livre de Língua e Cultura Portuguesas, como ainda os Cursos Breves de reciclagem e iniciação, em horário pós-laboral, como Língua Portuguesa, Linguística, Latim, Grego, Árabe, Explicação da Galiza, Literatura, Arte de Dizer, História da Arte.
   Hoje ministram-se os seguintes cursos: Cursos de Português, Português para Timorenses, Aprender a Redigir, Linguística, Latim, Grego Clássico, Grego Moderno, Catalão, Arte de Dizer, Retórica Forense, Cultura Clássica, História da Arte, Curso de Férias para estrangeiros e emigrantes.

   São de referir acontecimentos como Léxico-80, a primeira exposição de dicionários (parece poder afirmar-se) realizada no Mundo e que com grande sucesso foi vista na sede da SLP e na Faculdade de Letras do Porto, de cada vez durante um mês; a I Bienal Infanto-Juvenil de Letras e Artes (l987); a I Exposição Nacional de Jornais Diários (l981); e a rubrica «Rápido Cultural Porto-Lisboa», que contribui - para a descentralizarão intelectual e beneficia não só o Porto mas todo o Norte e Centro de Portugal.

   Desde 1981, a SLP insiste na criação do Dia Internacional da Língua Portuguesa. Esta ideia, levada ao conhecimento do presidente da Assembleia da República, foi apresentada ao seu Plenário e saudada por aclamação e de pé por todos os Deputados, como vem no Diário das Sessões de 12-9-81, p. 3145.

Funcionou ainda na SLP o Tribunal da Língua Portuguesa, tribunal de pressão junto da opinião pública, onde, por um lado são apreciadas queixas e julgadas agressões públicas à Língua Portuguesa e, por outro, questões relativas ao seu ensino.
   Em sua substituição, foi criada em 1996 a Provedoria da Língua Portuguesa, com o intuito de alertar a opinião pública e o poder instituído para a situação caótica em que se encontra o nosso idioma.
   A sua acção traduzir-se-á por um alerta constante às instituições que violam as actuais normas ortográficas. Neste âmbito, procurará sensibilizar o Registo Nacional de Pessoas Colectivas no sentido de assegurar a correcta grafia das novas designações. Terá ainda por missão denunciar casos como os presentemente existentes nas universidades do Algarve e da Covilhã, em que docentes estrangeiros impõem, nas aulas e nas reuniões, o Inglês como língua! Desenvolverá, também, acções concretas com o intuito de acertar para a facilidade - e impunidade - com que se recorre a estrangeirismos (especialmente a anglicismos) quando existem termos equivalentes na Língua Portuguesa.
   No âmbito da sua actividade, a Provedoria da Língua procurará denunciar a falta de apoio às comunidades portuguesas dispersas pelo Mundo, sobretudo no que diz respeito ao ensino da língua aos lusodescendentes.


   Só através de uma política efectiva de língua se poderá defender e promover o ensinamento salutar do espaço cultural lusófono, contribuindo decisivamente para a sedimentação do Português como um dos principais veículos de expressão.
   O seu propósito maior é mobilizar todos os portugueses no sentido de conseguir que nenhum se demita da responsabilidade que efectivamente tem na defesa do idioma pátrio.

   A SLP ainda toma como função o alertar para os atentados ao Património Cultural.

   O boletim «Língua Portuguesa», de periodicidade bimestral tem uma tiragem de 4000 exemplares e os sócios da SLP, recebem-no gratuitamente. Vai a todos os concelhos do país. Atravessa mesmo as fronteiras de Portugal.
   Publica-se também a Revista trimestral em 2 volumes Língua e Cultura.

   No estrangeiro, os destinatários de «Língua Portuguesa» distribuem-se, em 1989, por 40 países. Recebem-no sócios da SLP, Associações de Emigrantes Portugueses, em número próximo de 1000 e espalhadas por 27 países e, ainda, todas as Universidades e Bibliotecas Públicas de Angola, Cabo Verde, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, em número próximo de 250.

   A acção da SLP alarga-se aos emigrantes portugueses. No Colóquio Internacional «Língua Portuguesa - Que Futuro?» uma secção é-lhes aberta: «A Língua Portuguesa nas Comunidades». Isso acontece pela primeira vez.
   Para 1990, a SLP programa o Congresso de Jovens Emigrantes Portugueses sobre Língua, Cultura e Ensino.

   Três prémios internacionais são atribuídos pela SLP: Grande Prémio Internacional de Linguística, Prémio Internacional de Tradução e Troféu de Estudos Portugueses e ainda Certificado de Capacidade de Conversação, que é entregue a todo o estrangeiro nacional de países de língua não portuguesa que visite a SLP e fale correntemente o Português. Recentemente foi criado o Prémio Fernando Sylvan que se destina a galardoar a obra literária ou linguística de temática timorense.

   Uma importante biblioteca, e cerca de 20 000 títulos, pertence aos associados e consente leitura domiciliária. O seu livro mais antigo, «Las Obras dei Exceil'ète Poêta Garcilasso de Ia Vega», é do «Afio 1570».
   A SLP detém os direitos de propriedade de várias obras: Charlas Linguísticas, de Raul Machado e o Grande Dicionário de Língua Portuguesa de José Pedro Machado, de que já incentivou 4 grandes edições.

   A SLP é frequentemente chamada para comparticipar em comissões. Fez parte da Comissão Executiva das Comemorações do Cinquentenário de Fernando Pessoa (l988). Foi ouvida na organização do Centro Português de Terminologia da Academia das Ciências de Lisboa.

   É membro permanente da Comissão Nacional da Língua Portuguesa (CNALP).

   A SLP tem feito parte de júris literários, quer por convite directo, quer por indicação da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

   A sede deste Instituto de Cultura, no 2º. andar de um edifício pombalino no centro da cidade, Rua de S. José, 41, 1100 Lisboa, é constituída por um conjunto de oito salas e conta com três auditórios; um deles podendo funcionar como galeria de exposições bibliográficas e de arte (encontra-se desactivada). A sede actual é na Rua Visconde de Santarém, 71-3º. 1000 Lisboa Telefone/Telecópia 353 34 58.


PARA UMA POLÍTICA DE LÍNGUA PORTUGUESA

   A criação de uma política eficaz de Língua Portuguesa é uma necessidade que desde há muito se faz sentir. Na verdade, poucos são os que, em consciência, têm exaltado a necessidade de uma acção concertada com o objectivo concreto de defender e divulgar um idioma no qual foram escritas algumas das melhores obras da literatura universal. Para melhor se adaptar às mutações (e, por vezes, agressões) de que tem sido alvo, a Língua necessita que sobre ela se faça uma profunda reflexão. Não basta falar-se, em abstracto, de uma Política de Língua. Esta expressão, já gasta, traduz mais o mediatismo do significante do que a essência do significado, sendo esta última vertente a que na realidade importa.
   Perante tal cenário, é necessário reunir, à mesma mesa, todos os agentes interessados em formular propostas concretas e credíveis, sem as quais será impossível criar um clima de diálogo sério sobre este tema. É necessário, de uma vez por todas, consciencializar as diversas entidades responsáveis para a urgência de se estabelecer um conjunto de preceitos destinado a constituir a base de uma política séria e responsável neste domínio, à semelhança do que acontece em alguns países europeus.
   É neste contexto que a Sociedade da Língua Portuguesa (SLP) deve assumir as suas responsabilidades, conferindo ao problema o necessário pendor formativo. Todos conhecemos o duro combate que desde há vários anos é travado, pelas sucessivas direcções desta Sociedade, no sentido de procurar defender e divulgar o idioma pátrio. Como sobejamente conhecidas são, também, as inúmeras carências que têm entravado a realização deste projecto. De facto, é constrangedor que um Estado dito de Direito, possuidor de instituições de natureza cultural e educacional, não proponha uma reflexão produtiva sobre esta temática. Claro que a Língua não rende votos nas eleições nem proporciona a obtenção de lautos proveitos, mas também é verdade que o índice civilizacional de um país não se mede apenas em termos macroeconómicos. Que fazer, então, se não se nos afigura, a breve trecho, cenário mais favorável?

      * Dotar os diversos organismos que pugnam pela Língua de capacidade financeira e logística para, dentro de um quadro de competências bem definido, e de acordo com as directrizes emanadas dessas mesmas jornadas, levar a cabo as missões atribuídas. Tal medida radica na necessidade de reestruturar a organoléptica dos diferentes organismos, adaptando os recursos humanos e materiais existentes às futuras necessidades.

      * Dinamizar acções de formação e/ou actualização de todos os profissionais que utilizam na sua actividade a Língua Portuguesa.

      * Promover medidas que condicionem a utilização abusava de estrangeirismos, os quais, quando em excesso, comprometem a vernaculidade da Língua e a inteligibilidade dos conteúdos veiculados. Neste contexto, parece-nos viável a atribuição de competências à SLP, que, na qualidade de organismo de utilidade pública, poderia desempenhar um papel regulador com a necessária idoneidade, desde que devidamente apetrechada a vários níveis. Convém salientar que o reconhecimento do estatuto de utilidade pública não se deve limitar à atribuição de diplomas de louvor de mérito, mas sobretudo à captação de vocações latentes para fins sociais e de engrandecimento nacional.

      * Encarar o ensino da Língua Portuguesa e o de disciplinas que poderemos designar de nucleares (a História e a Filosofia) como o fundamento de uma consciência nacional que urge incrementar. Esta medida radica na verificação de que a ausência de identidade histórico-linguística, aliada à deficiente capacidade de arquitectar ideias e formular questões, muito têm contribuído para a inexistência de um espírito de verdadeira coesão em torno das questões da Língua. Não basta assumir medidas pontuais para solucionar questões que se agravam a cada ano que passa. Como não basta ensinar gramática quando erros de raciocínio comprometem a elaboração da frase mais simples.

A SLP como parceiro privilegiado

   Pode parecer caricato que a SLP não tenha tido nestes últimos anos, a projecção que merece na sociedade portuguesa. Criada em meados da década de quarenta, segundo uma ideia do professor Vasco Botelho do Amaral, passou de 1991 a 1996 um tanto incógnita pelo panorama sociocultural português, facto bastante comprometedor para a sua sobrevivência. Não podemos negar, é certo, as suas múltiplas carências (sobretudo em termos logísticos e infraestruturais), situação apenas compensada pela pronta resposta dos seus associados, muitas vezes com grave prejuízo das respectivas vidas particulares. Mas também não podemos negar a evidência de que a sua vocação, claramente consagrada nos estatutos por que se rege, lhe confere a legitimidade de se perfilar como parceiro privilegiado em futuros debates, As acções que regularmente promove (cursos, prémios de tradução e de linguística, medidas de sensibilização junto de entidades estatais e privadas, etc.) constituem o mais firme testemunho de fidelidade a uma causa que a todos pertence. Baseada numa experiência de décadas, cumpre-lhe dinamizar e coordenar futuras jornadas de reflexão à escala nacional, na senda do que já tem feito a nível mais restrito (em diversas edições da Expolíngua, por exemplo).
   Deste modo, a SLP assumiria as vertentes organizativa e consultiva. E se à primeira corresponde todo o labor de pôr em evidência as carências actuais, procurando debater e encontrar soluções eficazes, à segunda corresponderá a montagem de um suporte capaz de responder às diversas solicitações. Tal facto implicaria a reestruturação da própria SLP, o que pressupõe a reavaliação das suas actuais capacidades (obviamente limitadas), do perfil dos seus funcionários e das exigências técnicas que um programa de tal magnitude comporta. A solução (de preferência, definitiva) do problema da sede, a criação de um Gabinete de Investigação (que laboraria com bolsas de investigação concedidas pelas entidades competentes), uma mais ampla actividade do sector editorial (com algumas óbvias reservas) e a reorganização da biblioteca, disponibilizando-a a um público mais vasto, eis algumas medidas destinadas a complementar, no terreno, as reflexões inicialmente propostas.

A SLP e os media

   A relação da SLP com os meios de comunicação social, em especial com a imprensa escrita, tem sido uma porta aberta para dar a conhecer, embora timidamente, algumas actividades efectuadas. Tem servido, também, para esclarecer algumas dúvidas sobre o funcionamento da Língua, em regime de consultório. Parecem-nos, todavia, insatisfatórios os resultados obtidos neste domínio.
   No que concerne à rádio, a participação da SLP em programas da RDP Internacional muito contribuiu para divulgar, junto de um público-alvo disperso e diversificado, aspectos de especial relevo no âmbito da Língua. A rádio, enquanto veículo difusor capaz de chegar aos mais recônditos lugares, de fácil aquisição e pouco dispendioso, constitui, desde há décadas, um precioso auxiliar no capítulo informativo.
   Quanto à televisão, medium oneroso mas de profunda penetração, a cooperação tem sido inexistente (1) Os programas de Língua Portuguesa não se inserem numa lógica sensacionalista, em que o peso das audiências dita lei. E se tal não nos parece estranho quando nos referimos a estações privadas, o mesmo não acontece quando nos referimos à estação estatal, que constitui um serviço público. A primazia de programas de qualidade e gosto duvidosos - mas, ao que parece, bastante apelativos para um público acrítico e passivo - é fiel indicador dos preceitos que regem a política televisiva, que nivela por baixo os critérios qualitativos em prol do apelo emocional e imediatista. Não nos parece, pois, de todo irreal inserir a SLP e outros parceiros afins numa proposta de programa a apresentar à Radiotelevisão Portuguesa (e porque não a outras estações?), o qual seria concebido segundo os novos ritmos e as novas exigências televisivas, sem, no entanto, deixar de vista os objectivos últimos a que o mesmo se propõe.
   Apenas uma acção concertada de todos os interessados na preservação da Língua poderá conferir, a uma campanha com esta dimensão, o necessário poder persuasivo, sem o qual a mesma não passará de mais um plano de intenções.

A SLP na sociedade portuguesa:
causas do isolamento

   O povo português possui o estigma de ser considerado naturalmente avesso a tudo o que abarque raciocínio e reflexão. A sua conduta, diz-se, aproxima-se mais do emocional e do espontâneo do que do introspectivo e do racional. Improvisa com facilidade, adia as decisões até ao último momento, desconfia das suas próprias capacidades... e fiquemos por aqui!
   A fazer fé nestes argumentos, que, ironicamente, decidi inserir, não custa acreditar que o aparecimento de uma instituição com o perfil da SLP no panorama cultural português não tenha tido o acolhimento merecido. Numa sociedade então marcado pela censura e por um elevado índice de analfabetismo, pouco mais restava à SLP que tomar-se reduto de alguns intelectuais interessados em discutir questões consideradas, para o efeito, meramente académicas. Com a Revolução de Abril de 1974, a SLP viu-se conotada com a tradição. A sua postura normativa - por vezes em excesso - pouco contribuiu para aproximar a instituição das camadas populares e assim reabilitar a sua imagem. Todavia, apesar de afastada das grandes decisões relacionadas com a política de Língua, persistiu na atitude conservadora em que durante tantos anos vivera, apesar da abertura da recente direcção.
   Sucessivas direcções têm tentado restituía-la a um espaço que lhe pertence e de onde há muito tem estado arredada. A inexistência de infra-estruturas adequadas e a incapacidade de gerar receitas susceptíveis de garantir o seu sustento têm asfixiado a SLP, comprometendo o normal desenrolar do seu trajecto.

SLP - que futuro?

   Não bastava enunciar, ao longo destas linhas, medidas bem intencionadas. Era necessário enquadrá-las numa lógica social e cultural, não esquecendo nunca o papel da SLP num futuro quadro de entendimento. De seguida, analisámos a relação da SLP com os órgãos de comunicação social. Por fim, elaborámos uma breve retrospectiva sobre as causas do ostracismo a que tem sido votada na sociedade portuguesa. Estas reflexões traduzem um ponto de vista pessoal e, a todos os níveis, discutível, pelo que os argumentos apresentados traduzem, tão-somente, o ponto de vista de quem procura apresentar sugestões. Também não é nossa intenção transformar estas linhas numa qualquer mezinha milagrosa: conhecemos bem a conjuntura em que nos movemos.
   Após aturada reflexão sobre a temática em apreço, uma questão importa formular: SLP - que futuro? Para responder a esta questão devemos considerar a existência de dois tipos de factores: extrínsecos (os que são de natureza social e política e, portanto, alheios à SLP) e intrínsecos (relacionados com a filosofia de actuação da SLP). E se os primeiros, como já vimos, dependem de forças impossíveis de controlar, os segundos dependem já de uma linha de actuação concreta, suportada por um ideário claro e com uma política de incentivos perfeitamente estabelecido no terreno. Ou seja: a sobrevivência da SLP depende da intervenção dos interesses envolventes (2), mas também da forma como o seu núcleo dirigente actuar no plano prático. Neste âmbito, poder-se-iam adoptar as seguintes medidas:

A nível interno

      * Garantir a necessária flexibilidade estatutária de modo a conferir melhor adaptação às realidades envolventes, evitando, assim, um certo modelo autista que tem imperado.

      * Consciencializar os sócios para a importância de uma atitude participativa e dinâmica, promovendo, para o efeito, jornadas de reflexão interna.

      * inserir os cursos e a actividade editorial numa lógica de mercado capaz de gerar receitas.

      * Adequar os meios humanos e materiais existentes às exigências dos tempos modernos. A adaptação às novas realidades deverá contemplar, a médio ou a longo prazo, a possibilidade de se criar uma estrutura semiprofissional de técnicos especializados na vertente Língua. A utilização de licenciados no Gabinete Investigacional, remunerados ao abrigo de programas de investigação e sem subordinar a SLP a qualquer vínculo contratual (a não ser o de entidade promotora da investigação) permitiria não só a consagração de um dos mais importantes tópicos estatutários, como a possibilidade de captar valores latentes neste domínio. Neste contexto, importa referir o seguinte: o modelo de gestão vigente, que se pauta por um altruísmo absoluto, garante fidelidade ao projecto no imediato, mas revela-se susceptível de comprometer o futuro. Numa sociedade assaz competitiva, apenas uma estrutura de cariz profissional assegurará a sobrevivência de um organismo, independentemente da natureza deste.

A nível externo

      * Actuar com veemência junto dos parceiros estratégicos, promovendo a realização das jornadas de reflexão a que aludimos no início.

      * Aproximar a SLP dos centros de decisão relacionados com as políticas de Língua.

      * Criar um conjunto de incentivos tendente a captar a atenção dos órgãos de comunicação social, com os quais se poderia promover protocolos de cooperação em diversos âmbitos.

_________________________

   Como pudemos observar, a sobrevivência da SLP depende, em grande medida, da capacidade de se adaptar às exigências de uma sociedade em constante mudança. Para isso, é necessário que todos os seus membros - e não apenas os que integram o elenco directivo - se consciencializem da necessidade de se proceder a uma profunda reflexão interna e posterior reestruturação. Só assim estarão reunidas as condições para desencadear uma actuação dinâmica e afirmar o seu peso como instituição. Um organismo que não se adapta às circunstâncias está irreversivelmente condenado à extinção. É, pois, o que temos de evitar.

Rui Ferro

Nota

   (1) Exceptuando as Charlas Linguísticas do saudoso Raul Machado, na década de cinquenta, e, mais recentemente, os programas de Edite Estrela, pouco se tem feito, neste domínio, em termos de produção audiovisual.
   (2) Neste contexto incluímos a excessiva dependência de subsídios, que é preciso erradicar ou, pelo menos, atenuar, e criar formas de actuação susceptíveis de garantir uma superior autonomia financeira.


Cinquentenário da fundação da Sociedade da Língua Portuguesa

50 anos ao serviço da língua portuguesa

   A SLP vai comemorar neste ano o cinquentenário da sua fundação - 14/11/1949; cinquenta anos ao serviço da língua portuguesa, falada por uma longa diáspora - 200 milhões, língua internacional por excelência dado o número de falantes e pela sua distribuição pelo mundo.
   A SLP, criada a partir de uma ideia do Prof. Vasco Botelho do Amaral, lançada aos microfones do Rádio Clube Português em 26 de Maio de 1949, logo em 1 de Maio do mesmo ano promoveu a inscrição de sócios, todos unidos num grande objectivo comum: o estudo, a difusão e, acima de tudo, a defesa do idioma pátrio, lugar de encontro e de entendimento.
   Hoje como ontem, a nossa língua é vítima de banalização e do laxismo, pois os portugueses, infelizmente, estão pouco conscientes da força e do valor do seu património linguístico. Falta-lhes o gosto por falar e escrever bem, e demitem-se da responsabilidade que lhes cabe na defesa da língua que falam, factor de identidade nacional.
   Os motivos que levaram à criação da SLP continuam actuais; portanto, não existe no país uma instituição oficial, coordenadora de uma verdadeira política da língua, que impeça que certos organismos por sua conta e risco tentem resolver os problemas que se lhe deparam, principalmente, na área das novas tecnologias.
   Há outros aspectos de que, por serem tão correntes, já mal nos apercebemos: o mau uso das preposições, a falta de coordenação sintáctica, a violação das regras de concordância, estão a atingir a capacidade de raciocínio e, logicamente, afectam a estrutura do pensamento e a expressão. Além dos tratos de polé que a língua falada sofre nos meios de comunicação social, uma nova frente se está a abrir com o ciberespaço e com as novas redes de comunicação.
   Urge pois apoiar os órgãos de comunicação social, promover uma verdadeira formação dos professores deste sector, zelar pela dignificação da língua portuguesa nos organismos internacionais, dotando-os com um corpo de tradutores e intérpretes eficazes. A crise actual portuguesa reflecte uma nação em crise, a crise de valores, a crise actual de identidades. Como bem escreveu Cunha Rego "vivendo numa escala de erros, como se pode escrever sem eles?" É certo que jamais podemos esquecer que a língua portuguesa mudou através dos tempos, e vai continuar a mudar. A língua não é um fóssil. A mudança dá-se por certas estruturas, produtivas em fases anteriores, estarem já ultrapassadas. Hoje, a mudança está a fazer.
   Só que a uma atitude do "deixa-andar", que é reprovável, não se deve aliar uma outra, fundamentalista apegada a um purismo descabelado que, por certo, não será menos recomendável.
   "Os linguistas dizem o que é a língua, e não dizem como ela deve ser; descrevem o que a língua é, e nada têm a dizer por onde a língua vai."
   Seria bom para a língua portuguesa que os gramáticos, defensores da norma, e os linguistas se pusessem, de uma vez por todas, de acordo em relação ao que se passa com a língua Portuguesa.
   A SLP, criada essencialmente para defender a norma, não pode nem deve afastar-se dos seus objectivos estatutários, porque se o fizesse estaria a trair a sua história. No entanto, achamos que, ao fazê-lo, deveria evitar certos radicalismos, com pés bem assentes na realidade em que vivemos.
   50 anos - vamos comemorá-los resolvendo definitivamente o problema da sede; promover diversas actividades com as quais pretendemos assinalar a efeméride. Foram 50 anos de desinteressado trabalho de muitos dirigentes, sócios e simpatizantes, animados exclusivamente pelo gosto e pelo amor à língua portuguesa que vemos florescer "altiva" por todos os cantos do mundo, e de uma forma muito especial, pelo espaço da Lusofonia.

Presidente da Direcção
José António Fernandes Camelo


ENTREGA DE PRÉMIOS

   Na 1ª. semana de Fevereiro, na Sociedade da Língua Portuguesa, Rua Visconde de Santarém , 71-3º., em Lisboa, foram entregues os seguintes prémios:

      "Prémio Internacional de Linguística da SLP Lindley Cintra (1996)" / patrocinado pelo Ministério da Cultura / Instituto Português do Livro e das Bibliotecas

      "Prémio Internacional de Tradução (1997)" / patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos


PRÉMIO INTERNACIONAL DE LINGUÍSTICA DA SLP LINDLEY CINTRA (1996)

   Comunicamos que o Prémio Internacional de Linguística da SLP Luís Filipe Lindley Cintra 1996 foi atribuído ao trabalho:
   "Introdução à Linguística Geral e Portuguesa - organizado por Isabel Hub Faria, Emília Ribeiro Pedro, Inês Duarte e Carlos A. M. Gouveia.
   "Trata-se de uma obra que pode ser usada como um manual destinado ao primeiro ano de estudos na área da Linguística. A sua estrutura modular permite igualmente a utilização de cada capítulo como texto introdutório ou de síntese do estado da arte em cadeiras de Linguística distribuídas pelos planos curriculares de várias licenciaturas, podendo, por isso, funcionar como obra de referência constantemente presente no percurso curricular. O carácter deliberadamente acessível que a maioria dos autores pretendeu imprimir ao capítulo de que se encarregou permite ainda a sua leitura e compreensão por leitores não especializados que, por necessidade profissional ou curiosidade intelectual, queiram manter-se informados sobre as grandes questões em redor das quais se estrutura a investigação linguística contemporânea. Para facilitar este tipo de consulta, decidiu-se apresentar, logo após esta Introdução, o conjunto dos resumos elaborados pelos autores de cada capítulo.
   O livro dirige-se prioritariamente ao estudante do ensino superior. É também relevante para todos os que, por curiosidade ou formação profissional, se situam num contexto onde a relação com a Linguística é uma realidade ou um percurso a percorrer num futuro próximo. Pensamos nos professores de qualquer grau de ensino, com especial importância para os que têm a seu cargo o ensino explícito da língua materna ou de línguas estrangeiras, bem como nos que apostam no ensino apoiado por computador; pensamos nos psicólogos e terapeutas da fala cuja formação curricular incorpora, actualmente, várias áreas de estudos linguísticos; pensamos nos sociólogos, antropólogos e técnicos de documentação que em todo o país, e no estrangeiro, podem encarregar-se do registo, tratamento e arquivo do património linguístico, escrito e oral; pensamos nos profissionais de comunicação, técnicos de marketing e publicitários; e pensamos, necessariamente, na crescente população ligada à informática, no âmbito da investigação e da produção de instrumentos das indústrias da língua, cada vez mais sofisticados e intercomunicativamente".


PRÉMIO INTERNACIONAL DE TRADUÇÃO SOCIEDADE DA LÍNGUA
PORTUGUESA patrocinado pela CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

   Comunicamos que o Prémio Internacional de Tradução 1997, patrocinado pela Caixa geral de Depósitos, foi atribuído ao Dr. José António Costa Ideias, pela qualidade e fidelidade da tradução do livro de Ménis Koumandaréas A Senhora Koula, tradução do grego, notas e prefácio.
   José Costa Ideias, tradutor com longa experiência, é também professor na Faculdade de Letras de Lisboa.
   Segundo o Prof. Doutor Custódio Magueijo, membro do júri, "A Senhora Koula" é uma novela "centrada na relação amorosa entre uma mulher madura, casada, mãe de duas crianças, empregada numa repartição de finanças, e Mímis, um jovem estudante de engenharia electrónica" - tema banal, mas tratado com grande profundidade psicológica. O prefácio do tradutor é, mais do que uma simples apresentação da obra, um autêntico estudo literário, que o leitor certamente agradecerá.
   No que respeita à tradução portuguesa, o leitor, mesmo sem recurso ao original, logo se apercebe de que estamos perante uma correspondência linguística credível. E de facto assim é. Mas o leitor de literatura neo-helénica no original detecta saborosos estilismos que passam da língua 'de partida' para a língua 'de chegada'. Assim, a versão do Dr. J. A. Costa Ideias mantém um leve sabor primordial com duas 'leituras': para o leitor comum, a versão portuguesa tem algo de subtilmente inabitual, algo que acrescenta inesperadas conotações ao sentido estritamente linguístico, algo que a torna não-vulgar; e para o conhecedor do original e da língua neo-helénica, o conforto de verificar que - ao contrário do que sucede com certas traduções feitas através do francês ou do inglês - esta sabe (mas não tresanda) a grego.
   Posso afirmar que a tradução de A Senhora Koula, de J. A. Costa Ideias, para além da fidelidade estritamente linguística ao original (primeiro requisito de toda e qualquer tradução), é uma excelente transposição literária de uma língua para outra. E aqui já não basta o conhecimento profundo das duas línguas: há que lhe dar o 'toque final' da sensibilidade... poética, que o tradutor ou tem ou não tem. Se a tem, como é o caso, produz uma versão, uma com-versão, que torna o texto português em mais um documento artístico, agora posto à disposição e à fruição de um público mais alargado - neste caso, o público português.


Actividades

   MARÇO

   Dias 2, 9, 16 e 23 - "António Aleixo - Centenário do seu nascimento e 50 anos da sua morte".


CURSOS MINISTRADOS NA SOCIEDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA

   Curso de Português para Timorenses - Janeiro / Junho - Professores: Dra. Maria Helena Pecante, Dra. Teresa Henrique e Dr. Jorge Trindade
   Curso "Aprender a Redigir" - Novembro / Junho - Dra. Maria do Céu Faria
   Curso "Arte de Dizer" - Fevereiro / Maio - Actor João Grosso
   Curso "Latim" - Novembro / Junho - Dra. Maria do Céu Faria
   Curso "Grego Moderno" - Novembro / Junho - Dr. Costa Ideias
   Curso "Catalão" - Novembro / Junho - Dra. Neus Lagunes


Congresso Comemorativo do Cinquentenário da Fundação da SLP

   15, 16 e 17 de Novembro de 1999.
   Tema: A Lusofonia a Haver.


Notícias

   

·  Missa de sufrágio pelos sócios falecidos
   Dia 26 de Março - 12 horas, Igreja de São José, Largo da Anunciada

   

·  Almoço de confraternização dos sócios fundadores
   A SLP vai promover e oferecer um almoço de confraternização com os sócios fundadores, acima citados, para o que deverão inscrever-se na SLP até 15 de Março.
   Outros sócios que desejarem associar-se deverão fazê-lo também e informar-se acerca do preço.

   

·  Concerto de música clássica
   Prevê-se que tenha lugar no dia 28 de Março, Domingo, às 16 horas, no Teatro da Trindade, a realização de um concerto de música erudita do século XIX.

   ·  Exposição bibliográfica dos sócios
   Todos os sócios interessados devem fornecer referências de livros de que sejam autores, para que tomem parte da exposição bibliográfica a realizar em data a anunciar oportunamente.


Charlas Linguísticas

   Charlas Linguísticas na RTP (1960), do Padre Doutor Raul Machado.
   À venda, na Sociedade da Língua Portuguesa, Rua Visconde de Santarém, 71-3º. - 1000 Lisboa, pelo preço de 2 500$00.


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